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DR.
ZÔO
(Clique aqui para conhecer as tiras)
Em meados
da década de 70, Primaggio desenvolveu, para a Kibon, um personagem
chamado O Veterinário. Sua finalidade era ilustrar as figurinhas-brinde
que iam encartadas na embalagem do extinto chiclete Twist. Mas o projeto
acabou não dando certo. Em 1978, a Editora Abril convidou desenhistas
e roteiristas de histórias em quadrinhos para participar de um projeto
idealizado por Waldir Igayara de Souza: o Projeto Tiras. Sempre
dispostos a aproveitar as raras oportunidades, vários autores atenderam,
imediatamente, ao "chamado". Muitos deles já possuíam seu personagem -
como foi o caso de Ruy Perotti, com o popular Sujismundo e Waldir Igayara
e seu Florisvaldo, um vagabundo que já freqüentara as páginas de jornal na
década de 60. Mas a maioria desenvolveu uma idéia (como costuma se dizer,
"a toque de caixa") em função do Projeto. Entre eles estavam: Izomar
Camargo Guilherme (Zé Pessimista), Henrique Farias e Paulo Paiva (Giba),
Claudino e Paulo Paiva (Inseto City), Renato Canini (Tibica), Paulo José
(Bingo), os irmãos Airon e Marcelo "Verde" Lacerda (O Saturniano), Jorge
Kato (Tuca), Clóvis Vieira (Strego), Carlos Avalone (Carrapicho), o
francês Guy Lebrun (A Turma da Bola) e Primaggio Mantovi, que aproveitou a
chance para lançar o Veterinário. Muitos deles criavam as piadas e
faziam os desenhos - como, por exemplo, Izomar, Igayara, Avalone e o
próprio Primaggio - enquanto outros formavam "duplas" - como Paiva
(roteiro) e Claudino (desenho), Verde (roteiro) e Airon (desenho). O
intuito da Editora Abril era testar personagens através de tiras de jornal e os
mais bem sucedidos seriam "agraciados" com uma revista própria,
obviamente, publicada por ela |
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Vale citar
que esse era o sistema usado, comumente, pelos grandes Sindicatos da
América do Norte, distribuidores de tiras para jornal: Em primeiro lugar,
eles testavam a aceitação do personagem através de sua publicação em
tiras. Em seguida (dependendo da aceitação do público), lançavam o
personagem em uma revista em quadrinhos e merchandising (brinquedos,
alimentícios...). E por fim, sempre em função do sucesso obtido, o
personagem podia até se tornar astro de desenho animado e longa metragem
para cinema (vide Garfield, Snoopy...).
Era uma
oportunidade maravilhosa! A Editora Abril incumbia-se de divulgar e
oferecer os personagens aos jornais de todo o Brasil e o autor, além dos
direitos autorais, recebia uma ajuda de custo pela produção do material. O
projeto foi recebido de braços abertos pelos donos de jornais
(principalmente no interior e pequenas capitais). Na verdade, já há algum
tempo, eles estavam à procura de mais opções para o espaço destinado às
tiras, mas acabavam sempre esbarrando na dificuldade de encontrar autores
que caíssem nas graças do público e, sobretudo, capazes de entregar o
material no prazo necessário. A maioria dos personagens oferecidos pelo
Projeto Tiras era muito boa e além do mais, havia o nome Abril para dar
credibilidade. Conclusão: em menos de seis meses boa parte daqueles
personagens já estava sendo publicado em mais de 20 periódicos. Mas
era bom demais para durar e, logo após festejar o seu primeiro
aniversário, o Projeto começou a "fazer água": uma repentina contenção de
despesas, na Abril, provocou o fechamento do Centro de Criação,
responsável pelo Projeto. Outro setor acumulou a responsabilidade e, como
primeira medida, cortou a ajuda de custo paga pelo material. A falta de
novos contratos, somado ao cancelamento (ou a não renovação dos contratos
antigos) significou uma, considerável, perda financeira para os autores...
levando junto uma grande dose de seu entusiasmo. Daí ao cancelamento total
do Projeto, não demorou mais do que alguns meses. Mas, segundo os
participantes, a razão da extinção do, tão promissor, Projeto Tiras, nunca
foi bem explicada.
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